Ataque ucraniano à Rússia com número recorde de drones
A Ucrânia atacou a na Rússia com mais de 600 drones nas últimas horas, a maior ofensiva que o país alguma vez realizou com engenhos não tripulados, segundo as autoridades e meios de comunicação independentes russos. A Rússia atacou Balakilia, na região de Kharkiv. A NATO está a negociar com os Aliados o fornecimento de mais sistemas de defesa antiaérea à Ucrânia.
"A nossa região é objeto de um ataque inimigo de drones ucranianos", informou no Telegram o governador local, Mikhail Yevrayev, ao destacar que se tratou do maior ataque desde o início da guerra, com as defesas antiaéreas russas a abater 88 drones.
Do lado russo, o Ministério da Defesa reportou também o abate de 605 drones ucranianos de asa fixa sobre 18 regiões russas, a anexada península da Crimeia e os mares Negro e de Azov.
O ataque ucraniano desta noite superou os recordes anteriores: 556 drones a 17 de maio, 555 a 18 de junho e 389 a 25 de março. Segundo Yevrayev, não houve mortos nem feridos em consequência do ataque massivo contra Yaroslavl.
"Ardeu uma casa particular, em vários edifícios as janelas sofreram danos, vários automóveis foram danificados. Todas as vítimas receberão indemnizações", indicou, ao referir que "em outros locais também pode haver destroços de drones" .
Yevrayev acrescentou que devido ao ataque a circulação na autoestrada para Moscovo foi interrompida e apelou à população para que "se abstenha de viagens nesta direção ou nas suas proximidades ou que escolha uma rota alternativa".
Embora não tenha reconhecido o impacto de nenhum drone contra a infraestrutura crítica local, o canal independente russo Astra publicou fotografias nas quais se observam duas colunas de fumo, uma das quais proviria, segundo o meio de comunicação, da refinaria Slavneft-YANOS. Informação também confirmada pelo canal ucraniano Exilenova+, que também publicou fotografias e vídeos das consequências do ataque.
A Ucrânia voltou também a tentar atacar o centro logístico da Wildberries, uma plataforma de comércio online bastante popular, frequentemente apelidada de "Amazon russa", na região de Tver - a menos de 200 quilómetros a noroeste de Moscovo -, o segundo ataque em três dias.
Três mortos em ataque russo
Do outro lado da fronteira, pelo menos três pessoas morreram num ataque russo durante a noite na cidade de Balakilia, localizada na região de Kharkiv, na Ucrânia, informou hoje o Serviço de Emergência Estatal (SEAS) através do Facebook. Os drones atacaram uma zona residencial da cidade, incendiando duas casas particulares e danificando outras propriedades.
Outro ataque em Balakilia na quarta-feira deixou parte da cidade sem energia elétrica.
Num ataque separado, desta vez na cidade de Sumi, realizado com bombas guiadas, pelo menos 13 pessoas ficaram feridas, segundo a Administração Militar local.
"Durante a noite, num intervalo de oito minutos, o exército agressor lançou oito bombas guiadas contra as zonas norte e central de Sumi. Uma das bombas foi intercetada pela defesa aérea", lê-se no comunicado publicado no Facebook.
O ataque terá danificado um centro comercial, cinco lojas, as janelas de 10 prédios de apartamentos, três casas particulares, bem como cinco carros.
Rússia atinge navios de bandeira estrangeira no Mar Negro
Um ataque russo danificou um navio de bandeira estrangeira carregado com trigo na região do Mar Negro, na Ucrânia, matando um tripulante e causando um incêndio, disse Oleh Kiper, governador regional de Odessa, nesta quinta-feira.
A administração portuária da Ucrânia informou que o navio MeraQueen, de bandeira da Guiné-Bissau, foi atingido na noite de quarta-feira.
No último mês, a Rússia tem intensificado os esforços para estrangular o comércio e as rotas de exportação da Ucrânia, lançando ataques quase diários contra os portos ucranianos no Mar Negro.
Também um navio cargueiro turco pegou fogo após um ataque de drone perto do porto russo de Novorossiysk, no Mar Negro. A autoridade marítima da Turquia informou que três tripulantes ficaram gravemente feridos e que todos os 22 a bordo foram retirados para a Rússia.
NATO fala em mais defesa aérea para Ucrânia
O secretário-geral da NATO anunciou, na quarta-feira, estar a discutir com os Aliados o fornecimento de mais sistemas de defesa aérea à Ucrânia, que não conseguiu intercetar na noite anterior mísseis russos que provocaram pelo menos 17 mortos.
Numa mensagem divulgada nas redes sociais, Mark Rutte afirmou ter falado com Volodymyr Zelensky "sobre os mais recentes e horríveis ataques russos com mísseis e drones contra cidades ucranianas".
"Estou a discutir com os nossos aliados a forma de continuarmos a fornecer à Ucrânia os sistemas de defesa aérea de que necessita com urgência", disse Rutte, ao relatar a conversa com Zelensky.
Por sua vez, igualmente numa mensagem divulgada nas redes sociais, Zelensky referiu que está a trabalhar "o mais intensamente possível com todos os parceiros" da Ucrânia que podem ajudar a fornecer "intercetores de mísseis para proteger a população contra os ataques russos insanos, que visam vidas humanas e infraestruturas civis".
C/agências